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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Presto con Fuoco

Adoro livros assim, quanto mais detalhes melhor! Gosto de me sentir no cenário, de entender realmente o que o autor quer me dizer, gosto de sentir as sensações que o livro passa, não gosto de ler em vão. Recomendo esse livro que li (não completamente) há alguns anos e, que me traz questionamentos e me mostra muita sensibilidade quanto à Música de Chopin. Presto con Fuoco - Roberto Cotroneo.



"Criou-se, então, um silêncio fértil, tenso e satisfeito: de minha parte como da sua. E, no entanto, James quebrou aquele silêncio quase de pronto: apoiou o dedo no papel, fazendo algum rumor. E sublinhou o décimo quinto compasso, deslizando o dedo por toda a linha.
Havia um forte appassionato e depois um crescendo... con forza. "O senhor sabe o que significa perder a alma das mãos? Não conseguir dar a correta interpretação deste forte appassionato, deste crescendo con forza. Não conseguir entrar nestes quatro compassos, de modo que... como o senhor diria? O spleen, talvez? Sim, digamos assim... de modo que o spleen possa atravessar a sua mente e o seu corpo de uma só vez, como um incêndio imprevisto."



Melhor do que ouvir as notas, é também vê-las a ponto de querer tocar e, senti-lás a ponto de se lembrar da sensação, por toda a vida. 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Eroica

Estava caminhando, ouvindo música, como de costume, quando na minha playlist começa a tocar uma música que eu já não ouvia há algum tempo, a Nona de Beethoven. Era o Segundo Movimento e, ouvindo o Quarto me lembrei de um livro que li que dizia algo sobre a Terceira sinfonia. Fiquei pensando sobre isso hoje, procurei o livro, ouvi a Terceira sinfonia e quis encontrar alguma parte que me marcasse mais, que me incentivasse a escrever esse post que inaugura minhas palavras neste espaço. Segue aqui um trecho interessante, um diálogo do livro O Solista, de Steve Lopez, que inclusive foi um presente de um grande amigo que sempre me incentivou e torceu pra que eu crescesse no ramo da Música. Na dedicatória do livro, suas palavras diziam: "A Música tem o poder de nos envolver, de mostrar os mais profundos sentimentos. Que sua vida seja uma bela canção, que seja qual música que jamais deixa de tocar." - Aproveito pra agradecer o ótimo presente! rs Obrigado, Elvys!


"- Eles parecem tão contentes - diz Nathaniel enquanto os músicos afinam os instrumentos e o maestro, Esa-Pekka Salonen, entra no palco com passos energéticos sob farta cabeleira loura.
- Eu também ficaria contente se fosse tocar a Terceira sinfonia, especialmente com bons músicos. Você olha para o músico do lado e diz "Que legal".
Napoleão Bonaparte foi a inspiração original para a Terceira sinfonia de Beethoven mas, segundo a lenda, o compositor mudou de opinião sobre o homem ao ver o libertador se transformar num tirano. Ele intitulou a sinfonia Eroica, que significa heroica, e pretendia que fosse um tributo à coragem, e não a um único homem. Obtive essas informações de Nathaniel, um professor paciente que parece satisfeito por poder me oferecer a dádiva do seu conhecimento. A Eroica começa com dois clangores curtos que fazem o espectador pular na poltrona. Depois de despertar a atenção, Beethoven faz os naipes de cordas manterem uma conversa com intensidade sonora grande e forte. Há fascinação e suspense na peça, a expectativa de uma declaração corajosa e categórica."



# Parte 1 do Primeiro Movimento da Terceira Sinfonia







E, pra finalizar, um trechinho da parte da Terceira sinfonia que eu mais gosto:








"A Terceira já foi certa vez descrita como uma composição em que nuvens sombrias se dissipam na luz do sol."